Ontem
presenciei um momento histórico do qual me alegro e me orgulho de ter
participado, uma manifestação contra o governo, contra o sistema e contra a
mídia.
Uma manifestação linda, sem violência (pelo
menos no grupo em que eu estava caminhando, cerca de 200 pessoas), não vi um
carro de polícia. Quando uma pessoa batia em uma porta de comércio era vaiada
por todos e seguido de gritos como “Sem violência” e “Sem Vandalismo”. A
manifestação começou com uma concentração na Praça Afonso Pena em São José dos
Campos, vários cartazes pedindo melhores condições de vida, saúde, educação,
segurança, contra corrupção e outras reivindicações sociais.
O povo cansou, não é pelos 20 centavos
da tarifa de ônibus, é por tudo que vem acontecendo há décadas: políticos nos
roubando, políticos condenados por crimes no poder, altos impostos e quase
nenhum retorno. A tarifa abaixou os 20 centavos no começo do dia - penso eu para
tentar evitar que várias pessoas fossem às ruas - mas a passagem não é o final.
É apenas o começo, o começo de um novo dia, de um novo povo, de um novo país. Ontem
eu presenciei o começo da mudança do Brasil.
Mas, como todo grande grupo, sempre há
alguns idiotas e vândalos, que vão apenas para tumultuar, apenas para manchar a
linda imagem que um grande grupo consegue mostrar. Mas a mídia está aí
para falar muito deles e esquecer o momento pacífico e feliz. Então, não darei
muita atenção. Só direi que repudio isso.
Os momentos que nunca esquecerei foram
o de ver crianças, cadeirantes, religiosos, ateus, negros e brancos, todos do
mesmo lado, gritando que “são brasileiros com muito orgulho e com muito amor”.
Cantando todos juntos e com uma única voz o hino nacional, chamando todos para
a rua, recebendo o apoio dos motoristas que buzinavam e de moradores de prédios
que piscavam as luzes quando gritávamos “Quem apóia pisca a luz”.
Paramos a Dutra. Vários carros ficaram
parados e para minha surpresa eram poucos os que estavam com caras de nervosos.
Muitos saíam dos carros para gritar, muitos buzinavam em apoio, inclusive, motoristas
e passageiros de ônibus e, tenho certeza, que se não fossem os carros eles se
juntariam a nós.
Correu tudo bem. Cheguei em casa morto
- ainda estou com minhas pernas e pés
doendo - mas com uma felicidade e orgulho imensos. Não só de mim, mas de todos
que estavam e dos que nos apoiaram. Na próxima Terça (25/06/2013) teremos mais
uma manifestação e tenho certeza que será muito maior e muito melhor.
Mas com tudo que aconteceu na terça-feira
(20/06/2013), daqui a alguns anos, quando estiver com meus filhos ou netos
poderei encher o peito e dizer com orgulho “Sabe a Dutra? Paramos! Sabe o Anel Viário?
Paramos! Sabe São José dos Campos? Também paramos! Sabe o Brasil? Ajudei começar a mudar. Eu
mudei, porque não pensei somente em mim, quando briguei com a minha mãe para
ir, mas pensei em todo mundo, em todos que não puderam ir, mas queriam, por
todos que acham que não é sua obrigação ir, mas principalmente, pelo futuro da
nação. Pensei no que eu queria deixar para meus filhos.
José
Antônio de Freitas Neto – 21/06/2013
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